quarta-feira, 3 de março de 2010

O menino selvagem

O “menino selvagem” de Aveyron
Em AEC 01, Antropologia, Psicologia e Sociologia, Sociologia, Área de Estudos da Comunidade Outubro 1, 2008 às 12:19 am

A 9 de Janeiro de 1800, uma criatura estranha surgiu dos bosques perto da aldeia de Saint-Serin, no sul de França. Apesar do seu andar erecto, parecia mais um animal do que um ser humano, embora tenha sido de pronto identificado como um rapaz de onze ou doze anos. Expressava-se por guinchos, emitindo gritos agudos. Aparentemente, o rapaz não sabia o que era higiene pessoal e aliviava-se quando e onde era sua vontade. Foi entregue às auto¬ridades locais e transportado para um orfanato das redondezas. No início, tentava fugir cons¬tantemente, sendo capturado com alguma dificuldade. Recusava-se a usar roupas, que rasgava mal o obrigavam a vestir. Nunca ninguém apareceu a reclamar a sua paternidade.
A criança foi sujeita a um completo exame médico, que concluiu não existirem defi-ciências de maior. Quando lhe foi mostrado a sua imagem reflectida num espelho, apesar de visualizar uma imagem, não se reconheceu nela. Certa vez, tentou agarrar uma batata que viu reflectida no espelho (quando na realidade a batata estava a ser segura por trás da sua cabeça). Depois de várias tentativas, sem que tivesse virado a cabeça, apanhou a batata alcançando-a por trás do ombro. Um padre, que observou o rapaz diariamente, descreveu o incidente da batata do seguinte modo:

Todos estes pequenos detalhes, e muitos outros que poderíamos acrescentar, provam que esta criança não é totalmente desprovida de inteligência, reflexão e poder de raciocínio. Porém. somos obrigados a admitir que, em todos os aspectos que não dizem respeito às suas necessidades naturais ou de satisfação do seu apetite, apenas se observa nele um comportamento animal. Se tem sensações, estas não originam nenhuma ideia. Ele nem sequer as consegue relacionar. Poderia dizer-se que não há qualquer relação entre a sua alma ou mente e o seu corpo (Shattuk. 1980. p. 69: ver também Lane, 1976).

Mais tarde o rapaz seria levado para Paris e foram feitas tentativas sistemáticas de o transformar “de animal em humano”. O esforço só em parte foi um sucesso. Ensinaram-lhe a usar a casa-de-banho, passou a aceitar usar roupas e aprendeu a vestir-se. Continuava, contudo, com um grande desinteresse por brinquedos e jogos, e nunca foi capaz de dominar mais do que algumas poucas palavras. Pelo que podemos saber, com base na descrição deta¬lhada do seu comportamento e reacções, isto não acontecia por ele ser mentalmente desfavo¬recido. Parecia incapaz ou sem vontade de dominar o discurso humano. Poucos mais progressos fez e acabou por morrer em 1828, com cerca de quarenta anos de idade.
Naturalmente, temos de ser cuidadosos na interpretação de casos deste género. É possí-vel que se tenha dado o caso de se tratar de uma deficiência mental não diagnosticada. Por outro lado, é possível que as experiências a que esta criança foi sujeita lhe tenham infligido danos psicológicos impeditivos de dominar práticas que a maioria das crianças adquire em tenra idade. Há, no entanto, semelhanças suficientes entre este caso histórico e outros que foram registados para que possamos sugerir o quão limitadas seriam as nossas faculdades na ausência de um longo período de socialização primária.


Anthony Giddens, “Sociologia”, Fundação Calouste Gulbenkian

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

A "criança selvagem" de Aveyron

O “menino selvagem” de Aveyron
Em AEC 01, Antropologia, Psicologia e Sociologia, Sociologia, Área de Estudos da Comunidade Outubro 1, 2008 às 12:19 am

A 9 de Janeiro de 1800, uma criatura estranha surgiu dos bosques perto da aldeia de Saint-Serin, no sul de França. Apesar do seu andar erecto, parecia mais um animal do que um ser humano, embora tenha sido de pronto identificado como um rapaz de onze ou doze anos. Expressava-se por guinchos, emitindo gritos agudos. Aparentemente, o rapaz não sabia o que era higiene pessoal e aliviava-se quando e onde era sua vontade. Foi entregue às auto¬ridades locais e transportado para um orfanato das redondezas. No início, tentava fugir cons¬tantemente, sendo capturado com alguma dificuldade. Recusava-se a usar roupas, que rasgava mal o obrigavam a vestir. Nunca ninguém apareceu a reclamar a sua paternidade.
A criança foi sujeita a um completo exame médico, que concluiu não existirem defi-ciências de maior. Quando lhe foi mostrado a sua imagem reflectida num espelho, apesar de visualizar uma imagem, não se reconheceu nela. Certa vez, tentou agarrar uma batata que viu reflectida no espelho (quando na realidade a batata estava a ser segura por trás da sua cabeça). Depois de várias tentativas, sem que tivesse virado a cabeça, apanhou a batata alcançando-a por trás do ombro. Um padre, que observou o rapaz diariamente, descreveu o incidente da batata do seguinte modo:

Todos estes pequenos detalhes, e muitos outros que poderíamos acrescentar, provam que esta criança não é totalmente desprovida de inteligência, reflexão e poder de raciocínio. Porém. somos obrigados a admitir que, em todos os aspectos que não dizem respeito às suas necessidades naturais ou de satisfação do seu apetite, apenas se observa nele um comportamento animal. Se tem sensações, estas não originam nenhuma ideia. Ele nem sequer as consegue relacionar. Poderia dizer-se que não há qualquer relação entre a sua alma ou mente e o seu corpo (Shattuk. 1980. p. 69: ver também Lane, 1976).

Mais tarde o rapaz seria levado para Paris e foram feitas tentativas sistemáticas de o transformar “de animal em humano”. O esforço só em parte foi um sucesso. Ensinaram-lhe a usar a casa-de-banho, passou a aceitar usar roupas e aprendeu a vestir-se. Continuava, contudo, com um grande desinteresse por brinquedos e jogos, e nunca foi capaz de dominar mais do que algumas poucas palavras. Pelo que podemos saber, com base na descrição deta¬lhada do seu comportamento e reacções, isto não acontecia por ele ser mentalmente desfavo¬recido. Parecia incapaz ou sem vontade de dominar o discurso humano. Poucos mais progressos fez e acabou por morrer em 1828, com cerca de quarenta anos de idade.
Naturalmente, temos de ser cuidadosos na interpretação de casos deste género. É possí-vel que se tenha dado o caso de se tratar de uma deficiência mental não diagnosticada. Por outro lado, é possível que as experiências a que esta criança foi sujeita lhe tenham infligido danos psicológicos impeditivos de dominar práticas que a maioria das crianças adquire em tenra idade. Há, no entanto, semelhanças suficientes entre este caso histórico e outros que foram registados para que possamos sugerir o quão limitadas seriam as nossas faculdades na ausência de um longo período de socialização primária.


Anthony Giddens, “Sociologia”, Fundação Calouste Gulbenkian

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Rosanda Nunes - 3º trabalho de reflexão filosófica

Desde a Antiguidade Grega, a noção de valor, a sua forma de existência e a sua natureza representam problemas filosóficos que ocuparam muitos filósofos. Platão, Max Scheler, Johannes Hessen, Adolf Sánchez Vázquez, entre outros interrogavam-se sobre os valores e os assuntos relacionados com estes. As várias perguntas relacionadas com os valores constituem problemas filosóficos porque são universais, dizem respeito a todos os seres humanos, são intemporais, mantêm a sua importância, o seu valor, a sua pertinência ao longo do tempo, são problemáticos porque não encontramos para eles uma única resposta e definitivamente aceite, como iremos ver seguidamente e são radicais, pois procuram a origem, os fundamentos, a razão de ser de toda a realidade, procuram a origem da natureza humana.
É através dos valores que nós sabemos o que é justo, injusto certo, errado, bom, mau, bonito, feio. Com eles aprendemos aquilo que nos pode fazer felizes, aprendemos o que devemos fazer, quando e como valorizar a vida. São eles que nos mostram todas as formas de beleza.
Devido a eles, a maioria das pessoas são contra qualquer forma de violência, são solidários com os sofredores, com os doentes, com os miseráveis. Isto é justo? Porque é que uns valorizam mais a família, outros o amor, a amizade, a beleza e o dinheiro? Porque é que as pessoas tratam aqueles que amam com carinho, respeito e atenção? Porque é que há indivíduos que valorizam o conhecimento e a educação? São os valores que nos ensinam a não roubar, a não matar, mas parece que nem toda a humanidade aprende, porque será? Porque é que há valores que saem da moda, ou será que nunca saem? Mas afinal o que são os valores, qual é a natureza dos valores, terão uma natureza subjectiva ou objectiva?
Para este problema encontramos duas teses, o subjectivismo axiológico e o objectivismo axiológico. A primeira diz que os valores têm uma natureza subjectiva, isto é, dependem do sujeito para existirem, existem sim na mente humana e a segunda afirma que os valores são objectivos, existem independentemente do Homem. Têm uma existência exterior a mente humana. Todavia isto não é tão fácil como nos parece.
Do ponto de vista do subjectivismo encontramos duas definições para valor, o psicologismo e o emotivismo, pondo de parte o emotivismo, o psicologismo diz que o valor é uma vivência pessoal. Podemos considerar isso verdade já que diferentes pessoas atribuem a uma mesma coisa diferentes valores, contudo se os valores só existem subjectivamente, como é que se explica que os mesmos valores sejam encontrados em diferentes épocas históricas e em diferentes povos que nem sequer comunicaram entre si? E se o valor só existe enquanto vivência de uma pessoa, como é que se justifica a comunicação, a partilha e o consenso de opiniões valorativas?
Dentro do objectivismo axiológico encontramos duas definições para o conceito valor: o Naturalismo e o Ontologismo. O Naturalismo afirma que os valores são qualidades das coisas. Podemos concordar com a veracidade desta definição já que quando atribuímos um valor a qualquer facto, acreditamos que ele realmente possui esse valor e esta crença justifica o consenso que encontramos em tantas valorações. Por exemplo nós achamos a escravatura uma prática injusta e nós falamos como se o valor estivesse no facto, por exemplo num diálogo nós constantemente comentamos: -“Não vês que aquilo é injusto”.
Porém, se os valores são qualidades objectivas porque é que não conseguimos observá-los e como é que se fundamenta os desentendimentos entre as pessoas quanto à valoração de um mesmo facto?
O Ontologismo afirma que os valores são ideias que existem independentemente do sujeito humano e das coisas em geral, são seres ideais que existem por si mesmo. Deste ponto de vista, os valores são essências imateriais, intemporais e imutáveis. Platão foi o representante mais antigo desta perspectiva, dizendo que são ideias perfeitas e absolutas.
Uma vez que a experiência sensorial não pode dar-nos a conhecer os valores e uma vez que todos os seres humanos têm na sua mente conceitos correspondentes a valores, isto leva-nos a imaginar a existência de um mundo imaterial onde as ideias existem de forma independente e onde a nossa alma, sendo ela imaterial e imortal contemplou, por exemplo, o bem em si. Assim, ao encarnar num corpo recorda as ideias de valores que conheceu anteriormente, mas de uma forma confusa, justificando as divergências de valoração que encontramos.
Em contrapartida, não conseguimos provar a existência de um mundo das ideias, nem que a alma é imortal.
Devido à problematicidade dos valores surgiu uma outra tese axiológica, o Relativismo que afirma que os valores são intersubjectivos, ou seja entre sujeitos. Desta forma eles apresentam uma natureza social, dependem da existência do ser humano como sociedade. Segundo a tese relativista, o valor não é pessoal nem objectivo. O valor é uma apreciação histórica, cultural e social, é algo partilhado entre indivíduos e está condicionado pelo espaço sociocultural e pelo tempo histórico em que o homem se encontra.
Por exemplo, o ser caro ou barato depende muito de contextos histórico-culturais. Para uma pessoa de classe baixa a roupa de marca é cara, mas para uma pessoa de classe alta a roupa de marca é relativamente barata.
Apesar disto o relativismo não soluciona o problema. Apresenta-nos os valores como consequência de uma sociedade e da sua época histórica, mas não explica a universalidade de alguns valores, que permanecem ao longo da história e que são transversais a diversas culturas.
Concluindo, não existe uma definição única, como vimos anteriormente, elas contradizem-se. Há argumentos, mas também há contra-argumentos, estes que negam as teses. Não conseguimos ter a certeza da natureza e definição de valor, os contra-argumentos negam. Ficamos perplexos, já que o problema dos valores não é resolvido. O problema permanece, não há uma resposta definitivamente aceite. No final temos que admitir que não sabemos. Por isso, temos que reconhecer a nossa ignorância sobre um assunto que está tão presente em nós. Mas afinal, o reconhecimento da nossa própria ignorância é o caminho para o conhecimento e o início da sabedoria.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Correcção 3º teste

Escola Secundária com 3º ciclo D. Manuel I - Beja
Ano lectivo 2009 / 2010
FILOSOFIA
10º Ano, turma E

Correcção do 3º Teste de Avaliação – 1 Fev 2010

Grupo I
(5 pontos cada = 50 pontos)
1. F
2. B
3. C
4. A
5. F
6. E
7. E
8. F
9. B
10. F


Grupo II

1. “Esta floresta é tenebrosa” é um juízo de valor (5 pontos) porque avalia o sujeito “floresta” atribuindo-lhe um predicado que não é observável (“tenebrosa”), (5 pontos) de tal forma que não temos como verificar se este juízo é falso ou verdadeiro (5 pontos); além disso, é um juízo que se apresenta como subjectivo (varia de pessoa para pessoa) e, portanto, discutível. (5 pontos)
2.1. O juízo apresentado é representativo de um perspectiva axiológica subjectivista, (5 pontos) uma vez que um estado de espírito é algo pessoal que diz respeito à vivência psicológica de cada um. (5 pontos) Posto isto, então o valor será algo que existe na dependência de cada mente humana e, nessa medida, terá uma natureza subjectiva, como defende o subjectivismo. (10 pontos)
3. O naturalismo e o ontologismo são ambos definições objectivistas dos valores, (6 pontos) quer isto dizer que afirmam que os valores existem independentemente do ser humano. (4 pontos) Porém, distinguem-se porque o naturalismo define o valor como uma qualidade intrínseca das coisas (5 pontos) enquanto o ontologismo o define como uma ideia que existe independentemente quer das coisas quer da mente humana. (5 pontos)
4. Devemos falar de cultura e de culturas (4 pontos). Devemos falar de cultura para nos referirmos a tudo aquilo que o Homem produz, seja material ou imaterialmente (8 pontos), mas devemos também falar de culturas para nos referirmos ao conjunto de manifestações de um determinado grupo humano. (8 pontos)
5. O juízo b) - “O infanticídio é, para os europeus contemporâneos, uma prática horrenda” - é o juízo relativista, (5 pontos) porque o relativismo é uma perspectiva que considera que cada cultura apresenta valorações válidas quando avaliada a partir de dentro, a partir dessa mesma cultura. (10 pontos) Ao afirmar-se que o infanticídio é uma prática horrenda para os europeus contemporâneos, está-se a querer dizer que outras culturas podem avaliar o infanticídio de outra forma igualmente válida. (5 pontos)



Grupo III
(50 pontos)

Introdução (5 pontos)
Corpo de desenvolvimento (40 pontos):
- Aplicação de conceitos estudados;
- Correcta exposição de conteúdos adequados ao tema;
- Apropriação pessoal dos conteúdos;
- Opiniões fundamentadas;
- Relação coerente das ideias apresentadas;
Conclusão pessoal e/ou crítica (5 pontos)

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Relatório das aulas 63 e 64

Pedro Santos
10ºE, Nº25

Relatório de Aula
Aulas nº 63/64
25-01-2010

A professora iniciou a aula, escrevendo as lições e o sumário no quadro. De seguida, enunciou os conteúdos para o teste de avaliação e a indicação das páginas do manual em que os mesmos se encontram.
Depois, continuámos a aula corrigindo o trabalho de casa (da página 22, exercício 17 do caderno de actividades).
Após a correcção do trabalho de casa, a professora disse para lermos um pequeno texto sobre a cultura dos esquimós na página 97 do manual, onde aplicámos alguns conceitos, como o etnocentrismo e o relativismo cultural.
Durante a aula falámos um pouco sobre estes dois temas, onde vimos que o etnocentrismo era uma visão centrada ou egocêntrica de uma cultura em relação às outras, que avalia as outras culturas a partir de si própria, dos seus valores padrões de comportamento, promovendo a assimilação de umas culturas por outras. As culturas dominantes tendem a impor os seus valores e modelos de comportamento às culturas minoritárias. Em relação ao etnocentrismo, também falámos de algumas atitudes discriminatórias (racismo, xenofobia, patriotismo ou nacionalismo exagerados) a partir de exemplos como o regime nazi.
Mais tarde falámos sobre o Relativismo cultural e vimos que este aceita e respeita a diversidade cultural e que, segundo esta atitude, cada cultura só pode ser avaliada a partir de dentro, dos seus valores, ideias e padrões de comportamento, promovendo assim a separação entre grupos culturais (o que pode gerar fenómenos de segregação, de que os guetos são um exemplo.
Em seguida, para terminar a aula, a professora disse-nos para recuarmos um pouco às páginas 92 e 93 onde falámos sobre os diferentes níveis de critérios valorativos, particularmente, dos universais.
E, assim concluímos a aula.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Relatório das aulas 57 e 58

Pedro Pinto
10ºE, Nº19

Relatório de Aula

Aulas nº 57/58
13-01-2010

A professora começou a aula escrevendo as lições e o sumário no quadro. De seguida começou com a enunciação dos objectivos para a aula: defender e criticar definições de valor; reconhecer a problematicidade da definição de valor.
Então, continuámos a aula corrigindo o trabalho de casa que a docente mandou na aula passada (da página 83, exercício: 1 e 2). Após a correcção do trabalho de casa, a professora disse em que se consistia o desenvolvimento de um tema: redacção de um texto dedicado a um tema, no qual apresentamos os nossos conhecimentos e opiniões de uma forma organizada coerente, rigorosa e crítica (a construção de um texto, como habitualmente, deve ser tripartida). Em seguida propôs-nos como 3º trabalho de reflexão filosófica, o desenvolvimento do tema “Problematicidade dos Valores”.
Passámos ao 1º ponto dos nossos objectivos. Passo a referir as três definições de valor: Psicologismo; Naturalismo e Ontologismo (encontramos também as definições nas páginas: 85,86 e 87 do manual).
Psicologismo: Defende que o valor é uma vivência pessoal porque diferentes pessoas atribuem a uma mesma coisa diferentes valores (argumento de defesa). Mas, se os valores só existem subjectivamente como é que se explica que os mesmos valores sejam encontrados em diferentes épocas históricas e em diferentes povos que nem sequer comunicaram entre si? Por outro lado, se o valor só existe enquanto vivência de uma pessoa, como é que se justifica a comunicação, a partilha e o consenso de opiniões valorativas? (contra-argumento)
Naturalismo: Os valores são qualidades das coisas porque, quando atribuímos um valor a qualquer coisa, acreditamos que ela realmente possui esse valor e esta crença justifica o consenso que encontramos em tantas valorações. Como por exemplo, a maioria das pessoas considera que a pedofilia é uma prática inaceitável. (argumento de defesa) Porém, se os valores são qualidades objectivas das próprias coisas porque é que não conseguimos observá-los? Além disso, como é que se justificam os desentendimentos entre as pessoas quanto à valoração de um mesmo facto? (contra-argumento)
Ontologismo: Os valores são ideias independentes pois, uma vez que a experiência sensorial não pode dar-nos a conhecer os valores e uma vez que todos os seres humanos têm nas suas mentes conceitos correspondestes a valores, isso leva-nos a pressupor a existência de um mundo imaterial onde as ideias existem de forma independente e onde a nossa alma (sendo ela imaterial e imortal) contempla, por exemplo, o bem em Si e a Beleza em si mesma. (argumento de defesa) No entanto, não conseguimos provar a existência do mundo das ideias nem tão pouco conseguimos provar que a alma é imortal. (Contra-argumento)
Estudámos até agora três formas distintas de encarar o valor: valor como vivência, como qualidade ou como ideia. Associadas a cada uma delas então encontramos diferentes perspectivas filosóficas que apresentam, cada uma a seu modo, uma definição de “valor”, que é nesse caso o Psicologismo (o valor é uma vivência pessoal) , o Naturalismo (segundo o naturalismo os valores são qualidades nas coisas) e o Ontologismo (os valores são ideias que existem independentemente do sujeito humano e das coisas em geral; são seres ideais que existem por si mesmos).
E, assim, concluímos a aula.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Relatório das aulas 53 e 54

Sofia Trindade
Nº21 10ºE

Relatório de Aula

Aulas nº 53 e 54
04-01-2010

Visto que iniciámos agora o segundo período do ano lectivo, a docente deu início à aula com um pequeno resumo oral da matéria dada nas últimas aulas do primeiro período. Após ter enunciado o sumário, começou por questionar os alunos sobre o que era a Axiologia.
Em seguida, procurámos a diferença entre a definição de valor e de facto. Seguindo este tema, recordámos que a valoração é a atribuição de um valor a um facto.
Juízo de valor é um conceito que se distingue do conceito de Juízo de facto. O exemplo “a casa é verde” exprime um juízo de facto, pois é algo que podemos comprovar. No entanto, se dissermos que “a parede é bonita”, estamos a referir-nos a um juízo de valor, pois é algo pessoal que não pode ser considerado nem verdadeiro nem falso.
Seguidamente, a professora enunciou os objectivos traçados para esta aula, tendo presente, como pontos fundamentais: a identificação dos tipos de valores, o reconhecimento dos valores como hierarquizáveis e do problema da natureza dos valores.
Após a enunciação dos objectivos de aula, começámos por realizar o primeiro objectivo traçado, começando por fazer o reconhecimento da Tábua de Valores de Max Scheler, que consistia em vários tipos de valores, tais como, os valores religiosos, os valores éticos ou morais, estéticos, lógicos, vitais e úteis.
A docente prosseguiu a aula com a elaboração de um exercício que nos foi proposto, que consistia na identificação do tipo de cada juízo de valor que se seguia nas 6 frases enumeradas.

Concluído o exercício proposto pela professora, demos inicio à realização do objectivo de aula seguinte – reconhecer os valores como hierarquizáveis. Os valores são hierarquizáveis porque podem ser reconhecidos como tendo mais valor do que outros mas isso pode variar de pessoa para pessoa.
Após termos terminado o segundo objectivo definido para a aula, prosseguimos para a leitura do texto 3, que podemos encontrar na página 84 do manual, que nos fala precisamente dos diferentes valores hierarquizáveis, variáveis de pessoa para pessoa. Assim sendo, aquilo que para uma pessoa pode ser algo imensamente importante, como um quadro valioso, para outros, um simples livro de biblioteca pode ser bem mais destacável e essencial.
Este texto relata-nos os diferentes valores que se verificam entre optar por salvar a vida de uma criança, num incêndio, e um quadro que é uma obra de arte mundialmente reconhecida e apreciada.
Após a leitura deste mesmo texto, abriu-se uma discussão entre os alunos da turma e a professora, em que ambos deram a sua opinião e criticaram, de várias formas, o que seriam, para casa um, os importantes valores. Assim, concluímos que a forma como atribuímos um determinado valor a algo, depende de cada pessoa e, até mesmo, da sua maneira de ser. E que a nossa hierarquia de valores está na base das nossas escolhas.
Posteriormente à discussão do texto, atribuímos o significado de ordenar à palavra hierarquia. Concluímos, assim, que a hierarquia dos valores seria, então, a ordenação de valores, segundo o seu grau de importância das nossas vidas.
Por fim, a docente concluiu a aula ditando-nos os trabalhos de casa.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

relatório das aulas 49 e 50

Vera Estulano
Turma E, nº22
Relatório de aula
Aulas nº 49/50
14/12/2009
A professora iniciou a aula entregando-nos os testes de avaliação e em conjunto fizemos uma breve correcção do mesmo.
De seguida a professora proferiu os objectivos de aula que foram os seguintes: distinguir facto de valor e reconhecer a importância dos valores na nossa vida.
Após proferir os objectivos a professora disse-nos para sublinharmos a definição de axiologia no livro (página 79, 2º parágrafo), onde expressava que a axiologia é a disciplina filosófica que se ocupa do estudo dos valores e a sua função é analisar a natureza dos valores e defini-los a partir da sua relação com o ser humano.
Seguidamente, a professora fez um pequeno esquema no quadro definindo o valor como uma qualidade, sendo imaterial e mental, enquanto o facto é material (constituído por matéria) e observável ou não a olho nu. Depois demos alguns exemplos de factos como os edifícios e os carros que são construídos pelo homem, o vento e as marés que não são observáveis, etc. No final a professora disse que “o valor é uma qualidade que se atribui aos factos”. Designámos esta atribuição por valoração. A experiência valorativa é o acto pelo qual atribuímos e nos apercebemos dos valores, ou seja, o modo como nos sentimos e captamos ao contactar com os diferentes objectos, situações ou pessoas, levando-nos a considerar tais objectos, situações ou pessoas de uma maneira diferente: com dado valor – bom ou mau, belo ou feio, etc. Os valores apresentam-se em bi-polaridade, isto é, surgem aos pares, existindo um pólo positivo e outro negativo.
Acabado o 1º objectivo, começámos a reconhecer a importância dos valores na vida humana que é: orientar o nosso projecto de vida; influenciar as nossas decisões e marcar a nossa compreensão do mundo.
De seguida, concluímos que o olhar do homem sobre o mundo é um olhar valorativo. O nosso olhar não se limita a observar factos, nós vemo-los já revestidos de valor. Assim, qualquer facto é associado a algum valor: é importante ou indiferente ou útil ou caro ou belo ou desconfortável, etc.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Correcção do 2º teste

Escola Secundária com 3º ciclo D. Manuel I - Beja
Ano lectivo 2009 / 2010
FILOSOFIA
10º Ano, turma E

Correcção do 2º Teste de Avaliação – 9 Dez 2009

Grupo I

(5 pontos cada = 50 pontos)
1. A
2. C
3. E
4. C
5. F
6. B
7. H
8. A
9. A
10. D


Grupo II

1.1. Sim, podemos afirmar que o Bernardo praticou uma acção porque tudo o que o Bernardo fez foi consciente (ele tinha noção do que estava a acontecer) (5 pontos), foi voluntário (ninguém o obrigou a roubar o teste) (5 pontos) e intencional (roubou o teste para obter melhor classificação). (5 pontos)
1.2. O acto praticado foi roubar o teste (5 pontos) e o motivo foi ter encontrado os testes de filosofia na sala de professores e não ter ninguém a observá-lo. (5 pontos)
1.3. “Se eu roubar um teste, saberei previamente as perguntas e poderei ter uma classificação bem mais elevada. (10 pontos) No entanto, não estarei a ser leal nem com a professora nem com os meus colegas de turma. Além disso, se alguém descobrir irá ser uma vergonha para mim. Mas como a probabilidade de ser descoberto é tão pouca, até vale a pena arriscar. (10 pontos)
1.4. A situação descrita apresenta condicionantes psicológicos (uma vez que o agente sentia medo de ser descoberto) (7,5 pontos) e condicionantes histórico-culturais (a vontade de roubar o teste deve-se a pressões sociais relativas ao sucesso escolar). (7,5 pontos)
2.1. Apesar de o nosso corpo estar sujeito à “causalidade que rege os acontecimentos do universo”, (10 pontos) nós podemos ter livre-arbítrio porque temos uma mente que é imaterial e que, portanto, escapa à causalidade do mundo físico. (10 pontos)
2.2. Se fosse provado que a acção humana é causada, quer dizer, que ela é o efeito inevitável de acontecimentos anteriores, teríamos que negar a nossa liberdade e, consequentemente, a nossa responsabilidade. (10 pontos) Isso seria gravíssimo pois toda a nossa compreensão da vida e toda a nossa organização social se funda na crença de que somos livres; sem essa crença, o castigo, o prémio a culpa, o arrependimento, etc, deixariam de fazer sentido. (10 pontos)




Grupo III
(50 pontos)

Critérios de correcção:
- Correcta aplicação de conteúdos leccionados
- Apresentação do tema
- Formulação do problema
- Tese claramente apresentada e adequada ao problema
- Domínio da argumentação e contra-argumentação
- Conclusão

domingo, 6 de dezembro de 2009

Relatório das aulas 43 e 44

Escola Secundária D.Manuel I
2009/2010
Filosofia-10ºano
Analisa Parrinha
Nº3, 10ºE
Relatório de Aula
Aulas nº43 e 44
02/12/2009

Iniciámos a aula apontando os conteúdos que saem para o teste. De seguida, a professora leu o relatório de aula realizado pelo aluno Miguel Mónica e definiu os objectivos de aula que consistiam em reconhecer os diferentes tipos de condicionantes da acção humana e reconhecer a nossa crença natural no livre arbítrio.
Podemos concluir com a observação da página 75 que as condicionantes físico-biológicas são as características do nosso corpo e do meio físico envolvente; as condicionantes psicológicas dizem respeito às características psíquicas e as histórico-culturais dizem respeito ao ambiente cultural, social, cientifico, tecnológico e histórico.
Em seguida a professora enunciou as páginas do manual que devemos estudar para o teste e corrigimos o trabalho de casa da página 73 que consistia na análise de um texto e em responder à questão “Será verdade que podia ter comido antes o pêssego?”, com base na tese determinista, indeterminista e libertista. Com base na tese determinista vimos que o sujeito não podia ter comido o pêssego ao invés do bolo porque o indivíduo é determinado a escolher o bolo de chocolate devido a uma ou várias causas. O indivíduo julga que escolhe mas a sua suposta escolha não é mais do que o efeito inevitável de certas causas. Segundo a tese indeterminista o sujeito não podia ter escolhido comer o pêssego. Por um mero acaso que ele não controla, comeu o bolo em vez do pêssego. Contudo, o contrário podia ter acontecido não pela força de vontade do sujeito, mas pela força do acaso. Finalmente, vimos que segundo a tese libertista o sujeito logo de início podia ter escolhido comer o pêssego. Uma vez que a sua mente não está sujeita a nenhum determinismo físico, a sua mente realiza verdadeiras escolhas livres, não obedecendo a outras causas que não as impostas por si mesmo.
Terminámos a aula com a indicação do trabalho de casa e com a leitura e análise do texto 19 da página 74, cujo tema é a crença no livre-arbítrio. O texto leva-nos a reconhecer esta crença como a base da nossa concepção de vida.

Relatório das aulas 41 e 42

Escola Secundária D. Manuel I
2009/2010
Filosofia -10ºano
Miguel Mónica
Nº15 10ºE

Relatório de aula

Aulas nº41 e 42
30 de Novembro de 2009

Iniciámos a aula com a entrega do segundo trabalho de reflexão filosófica e logo depois apontámos o objectivo que iria ser realizado no decorrer da aula, esse objectivo consistia em “Comparar determinismo e libertismo enquanto antíteses”.
Com este objectivo definido, a professora iniciou a revisão de conteúdos. Posteriormente fomos ao nosso manual, lemos umas breves definições e sublinhámos as partes mais importantes.
Após isso, traçámos um esquema da oposição entre as antíteses (determinismo e libertismo). Segundo o determinismo, as acções são causadas, logo inevitáveis pois estão sujeitas à causalidade natural e nessa medida são sempre o efeito inevitável de um conjunto de causas anteriores que ocorrem segundo leis da natureza. Enquanto que, do ponto de vista libertista, as acções são livres porque a mente humana, sendo imaterial, não está sujeita ao determinismo físico das leis da natureza. A professora explicou-nos a razão pela qual é o determinismo e não o indeterminismo que é tomado com antítese do libertismo: porque o determinismo é mais radical do que o indeterminismo. Ficámos assim com a ideia de que o determinismo afirma que todos os acontecimentos no mundo são causados enquanto que o indeterminismo apenas pode afirmar que existem alguns fenómenos na natureza que são aleatórios. Ficámos ainda a saber que o indeterminismo, mais do que uma resposta ao problema do livre arbítrio, é uma crítica à tese determinista.
Seguidamente, estudámos a dualidade antropológica que consiste na divisão do ser humano em duas naturezas: corpórea e mental. Vimos que o corpo, sendo físico e material, é determinado por leis da natureza, enquanto a mente, sendo imaterial, é livre, ou seja, não obedece a leis físicas, logo é causa de si própria, “auto-determina-se”. A dualidade antropológica é o argumento que defende a tese libertista.
Após o estudo da dualidade antropológica, iniciámos o tema “Condicionantes da acção humana” e apontámos que, pressupondo que a acção humana é livre, tal como defende o libertismo, temos que reconhecer que a nossa acção e, portanto, as nossas escolhas são influenciadas e até limitadas por variadíssimos factores. Aprendemos ainda que estas condicionantes agrupam-se em 3 tipos, estes tipos são: físico-biológicas; psicológicas; histórico-culturais.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Miguel Mónica, Alegoria da Caverna

Este vídeo, visionado no youtube, começa com a afirmação de que um grande filósofo da antiguidade grega, Platão, definiu um método de forma a explicar a formação do ser humano, esse método consistia em que todos os homens viviam numa caverna, que viviam presos acorrentados no fundo da caverna, que acreditavam que a sombra por eles feita através de uma fogueira era uma coisa real e também ouviam o som das pessoas e coisas que passavam fora da caverna.
“Tudo isso formava o modo como o ser humano agia, como uma pessoa pode se tornar alienada ao conviver apenas com a sua dedução do que é certo e errado, verdadeiro ou falso”, esta frase, visionada durante o vídeo, esmiúça o fundamento que Platão deu. Defende também que todo o homem que quisesse sair dessa caverna, teria de vencer os seus medos, quebrar as correntes da ignorância e tentar sair dessa caverna. Tudo isto visionado, era acompanhado por uma música bastante calma, definida assim, pois era o que se vivia na altura, muita calma.
“É somente através do conhecimento, sabedoria e persistência que conseguiremos sair da caverna e enxergar o mundo a nossa volta”, a partir do momento em que surge esta frase, no vídeo, surge também uma alteração da música, começando assim uma batida mais agitada, tal como é a nossa vida (agitada) hoje em dia. Esta frase mencionada anteriormente, faz-nos pensar enquanto á nossa vida hoje em dia, ainda existe essa caverna e temos de lutar para sair dela, pois são nesses momentos que podemos mudar as nossas vidas.
Daí nasce um novo homem que está livre dessa prisão que existe dentro da caverna. Não sabemos é se estará livre, pois hoje em dia há muita violência, muito confronto e muita desigualdade.
A média e a elite, são as únicas coisas que nos mostram o que devemos ser, o que fazer, com o que se preocupar, com o que sonhar e principalmente com o que devemos consumir. No vídeo, todas estas afirmações ditas anteriormente, mostram o que acontece no mundo contemporâneo, devemos ser belos para perante os outros ter uma boa imagem, não ter trabalhos duros para não sofrer muito desgaste, preocupar-se com o dinheiro pois no pensamento é o fundamento da vida hoje em dia, sonhar com a riqueza e em ter uma grande casa e um grande carro para não sermos como os outros e consumir bens que não eram usados na antiguidade, como por exemplo o telemóvel, a internet, a roupa de marca, comida chamada “fast-food” etc.
Mas, no mundo REAL, o que existe, é muita fome, muita pobreza, muita guerra, muita tristeza, muita morte inocente e muita poluição, e na altura em que são visionadas imagens sobre o que foi dito nesta frase, existe novamente uma alteração musical, desta vez um rock moderno.
Assim, os homens preferem ficar na caverna, pois sabem que estariam sempre com o mesmo pensamento e não tinham de se preocupar com certas coisas que não seriam úteis na vida.
Na parte final do vídeo, surge uma pergunta interessante, “e você? Está dentro ou fora da caverna?”, é uma pergunta que toda a gente a seguir de ver o vídeo se confronta, pois não têm uma resposta certa, sendo assim, sabemos que é uma pergunta filosófica. E com isto, aparece uma imagem de uns comprimidos, ou seja, droga.
Pessoalmente, gostei bastante de ver este vídeo, acho verdadeiro o método que Platão afirmou, pois é uma realidade vivida ainda hoje em dia, apenas não sabemos é o que fazer, pois existem várias escolhas, mas poucas são as correctas.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Relatório das aulas 37 e 38

Maria Nunes Santos
10ºE
Nº12
Relatório da aula
Aulas nº 37/38
23.Novembro.2009

Após recapitulação da aula anterior, sublinhámos no manual definições importantes sobre a decisão deliberada, e chegámos à conclusão que não é apenas uma decisão consciente, voluntária e intencional, mas sobretudo uma decisão que é reflectida. Também vimos que o grau de necessidade da decisão deliberada é tanto mais elevado quanto maior for a importância desta para o nosso futuro. Nem todas as decisões são planeadas ou deliberadas com algum tempo de antecedência.
Para finalizar o primeiro ponto dos objectivos de aula definimos a acção humana como sendo o que fazemos de modo consciente, voluntário e intencional, que pode ser ou não resultado de uma decisão ponderada. O autor desta é o agente. Relacionámos o agente com a responsabilidade e a liberdade, chegando à conclusão que se o agente realizar a acção com consciência e sem ser obrigado, então é responsável por esta. E temos assim de pressupor que foi de livre vontade e que poderia ter escolhido outra opção. Liberdade e responsabilidade são interdependentes. O agente só pode ser responsabilizado porque agiu livremente.
O segundo objectivo foi iniciado com a definição de livre-arbitrio que é a vontade livre e responsável de um agente racional.
Elaborámos, seguindo a estrutura argumentativa, um esquema dedicado ao problema do livre- arbítrio. Formulámos então o problema: “Serão as acções humanas livres?”. E apontámos as teses: determinismo, cujo fundamento é a causalidade; indeterminismo (o fundamento é a aleatoriedade); o libertismo (dualidade antropológica).
No final da aula visionámos um vídeo e procurámos interpretá-lo. Era sobre o livre-arbitrio. A conclusão a que chegámos foi que no mundo actual a ciência tomou o lugar de Deus, através desta controlamos o mundo. Apesar de nos dar resposta a quase tudo, a ciência ainda não consegue responder ao problema do livre-arbítrio, um problema ao qual Aristóteles tentou responder. Como podemos ser livres se Deus sabe tudo e como conciliar a liberdade humana com a existência de Deus? Hoje em dia, o mundo é dominado pelas leis da física. Estas são fundamentais e regem o mundo. Ora, nós somos objectos do mundo. O nosso comportamento não lhes escapa. Então, seja Deus ou a ciência, ambas parecem condicionar a nossa liberdade. É a nossa identidade que está em jogo. A física quântica explica muita coisa, as partículas quânticas são aleatórias e por isso é difícil compreendê-las. Será que a nossas acções são apenas prováveis, fruto do acaso? Para uns é mais fácil pensarmos que somos como máquinas, determinadas por um sistema de causalidade.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Rosanda Nunes, 1º trabalho reflexão filosófica

Há muito tempo atrás um famoso e grande filósofo, Platão, escreveu um mito que se chama: “O Mito da caverna”. Este mito encontra-se na obra intitulada “A República” (livro VII). Trata-se da exemplificação de como nos podemos libertar da condição de escuridão que nos aprisiona através da luz da verdade. É sobre esta alegoria que nos vamos debruçar.
Dizia Platão que todo o ser humano vivia preso numa caverna onde existia uma fogueira que projectava sombras. Essas sombras pensavam eles serem coisas reais. Contudo, era possível ouvir o som dos indivíduos que estavam fora da caverna. Tudo isto formava o modo como o ser humano era influenciado a conviver com a sua dedução do que é certo e errado, verdadeiro e falso. O Homem que quisesse sair de lá teria de quebrar a corrente da ignorância. Certo dia, nasceu um novo homem que saiu da caverna.
Agora vamos relacionar este mito com a vida real. Neste momento o ser humano está de novo dentro da caverna, um Homem que se preocupa com dinheiro, sonha com vivendas, carros e hotéis de luxo e principalmente, só pensa em consumir. Consumir roupas de marcas, bens tecnológicos e comida fast food, sem se preocupar em manter as tradições culturais bem vivas. É este homem que não reflecte sobre a vida real, não se interessa sobre os problemas que afectam a realidade, só pensa naquilo que os média e a elite nos tentam mostrar.
Estes indivíduos comuns tentam resolver os seus problemas tomando comprimidos que têm efeitos secundários. São estas pessoas que vivem a sua vida cheia de stress e de depressões e para resolver os seus problemas tomam anti-depressivos. São estas pessoas que esquecem o que está a sua volta e só pensam no seu mundo, que é um mundo tão medíocre em relação ao mundo de outros indivíduos.
Porque no mundo real existe fome, miséria., pobreza, guerras, mortes, incêndios que acabam por destruir milhares de hectares de campos, florestas, etc. Existem acidentes que destroem famílias, pessoas que morrem devido aos fracos cuidados de saúde, entre muito mais. Problemas que afectam a maior parte da população.
O Homem não se interroga sobre estes gravíssimos problemas que existem no nosso mundo só pensa no seu próprio nariz.
Para o ser humano sair desta caverna tem que quebrar as correntes da ignorância e vencer os seus medos.
Mas a par destes tipos de Homens existem outros que se interrogam e se interessam sobre as coisas mais simples como um pássaro a voar aos problemas mais complexos como a pobreza, a fome, a guerra, a morte, entre outros. Estes são os filósofos, que colocam questões que levam a outras e que tentam descobrir a melhor maneira de resolver os problemas. Mas ao mesmo tempo têm consciência da sua própria ignorância. São estes que procuram a verdade absoluta mas que não a encontram.
A filosofia pode-nos ajudar a saber viver melhor, a agir responsavelmente, a orientar a nossa vida e pode nos dar aptidões a nível social e político.
Eles, os governos e os média preferem que nós vivamos dentro da caverna, mas a opção é nossa.
Eu penso que nós devemos sair da caverna e nos questionarmos sobre os problemas globais que afectam a maior parte da população, porque um dia ainda podemos passar fome, o nosso país pode ficar em guerra e aí quem é que nos ajuda, se praticamente todas as pessoas estão dentro da caverna. Somos todos seres humanos e devemos ajudar aqueles que passam dificuldades, que não tem culpa de terem vindo ao mundo e de enfrentarem sérios problemas. Será que na outra vida não vamos ter problemas como eles?
Preferes continuar dentro da caverna ou sair dela?

Ana CorteNegra, 1º trabalho reflexão filosófica

O meu comentário baseia-se no vídeo “O mito da caverna (Alegoria da caverna) Platão” que é uma comparação entre o mito da caverna de Platão e a realidade actual.
O vídeo começa por mostrar que todos os homens viviam presos numa caverna, caverna essa que é o mundo onde nós, seres humanos, vivemos, onde havia uma fogueira que projectava imagens que eles pensavam que eram coisas reais. Tudo isto contribuiu para a formação de um ser humano que vivia e agia apenas de acordo com a sua ideia do que é certo ou errado, verdadeiro ou falso. Sair da caverna era uma acção triunfadora, pois a pessoa que quisesse sair teria de vencer os seus medos e deixar de ser ignorante e, através do conhecimento e perseverança, conseguir ver o mundo à sua volta de maneira diferente e assim poder mudar a sua vida.
Assim, nasceu um novo homem que, apesar de estar livre da caverna, vai deparar-se com certas situações que lhe vão dar vontade de voltar novamente para a caverna, como por exemplo, explosões, guerra.
O vídeo, além de falar da caverna em que cada um de nós vive, fala também do modo como as pessoas continuam a viver num mundo de mentiras, criam mecanismos altamente eficazes de manipulação, como a média e a elite. Estas têm alguma culpa na forma como os seres humanos vêem o mundo e como se comportam perante este, são instituições que servem para manter todas as pessoas alienadas. O dinheiro, o sonho de ter um carro mais potente, umas férias de sonho, uma casa enorme com espaço para tudo e mais alguma coisa e bem decorada para dar nas vistas, consumir certas coisas como comida do Mcdonalds, internet, telemóveis, o uso de roupas de marca, são tudo preocupações supérfluas, em comparação á vida de outras pessoas que vivem no mesmo planeta mas num mundo diferente, no mundo real.
O vídeo mostra-nos também que no mundo real há seres humanos que morrem todos os dias porque não têm o que comer, que vivem em condições miseráveis, nem o mínimo saneamento básico têm, seres humanos que vivem o dia-a-dia perante guerras que não acabam, crianças que assistem à morte dos pais, irmãos ou outros familiares, é um mundo de miséria e de tristeza. Estas pessoas preferiam viver na caverna e nunca de lá saírem, ao menos lá não sofriam tanto quanto sofrem neste mundo.
Na minha opinião, cada um de nós vê o mundo á sua volta a partir dos seus conceitos, é como uma lente que tanto pode dar uma visão clara das coisas como pode obscurecer a verdade, depende muito da maneira e dos ensinamentos com que cada um de nós cresceu e como entendemos o mundo. Se um indivíduo cresceu num mundo em que tudo era perfeito, no qual nada de mal acontecia, vai ver o mundo como uma verdade obscurecida pois nunca teve a noção de como difícil é a vida; em contrapartida, alguém que nasceu num mundo em que a vida é demasiado dura vai ver a vida de uma maneira completamente diferente, vai ter que fazer sacrifícios para alcançar os seus objectivos. Desta forma, nós, seres humanos, teremos de percorrer ainda um longo caminho para descobrirmos o que realmente é real, caso contrário, viveremos para sempre na dita caverna.

Relatório das aulas 33 e 34

Ana Filipa
Nº 2
10º E
Relatório de aula

Aulas nº 33/34, 18 de Novembro de 2009

Começámos, como já é habitual, por escrever o sumário e enumerar os objectivos de aula, objectivos de aula esses que consistiam na aprendizagem da organização de um discurso argumentativo bem como no reconhecimento da decisão deliberada como um elemento associado à acção humana. Contudo, como constava no sumário, foi-nos entregue o primeiro trabalho de reflexão filosófica, cujo tema era a Alegoria da Caverna. Foram discutidos os resultados e ficou então registada, no caderno diário, uma possível correcção. De seguida, foi corrigido o trabalho de casa, do caderno de actividades, da página dezoito, exercício 2.1, onde concluímos que existem, de entre as coisas que fazemos referidas na lista, algumas que ocupam tanto a coluna voluntária e conscientemente, involuntária e inconscientemente como a involuntária e conscientemente, como é o caso de pestanejar e, para terminar, foi corrigido um exercício que nos foi pedido realizar na aula à qual a professora faltou, que consista no exercício três, da página dezanove.
Em seguimento dos objectivos de aula, fizemos um pequeno apontamento no caderno acerca da organização de um discurso argumentativo. Na introdução, apresentamos o tema e justificamos a sua importância e apresentamos também o problema. No desenvolvimento, centramo-nos na defesa da tese, usando argumentos bem desenvolvidos e prevendo contra-argumentos (fortes). Na conclusão, devemos sublinhar a importância da tese e do auditório aderir a ela.
Na concretização do segundo objectivo, concluímos que a deliberação juntamente com a decisão, faz com haja uma decisão reflectida ou deliberada, a qual mão é um elemento essencial à acção humana. Por fim, e para terminar a aula, a professora indicou o trabalho de casa, que se baseia na realização de uma pesquisa dedicada ao tema “homossexualidade” e, também, na estruturação mental de um discurso argumentativo.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Relatório das aulas 31 e 32

Escola Secundária D.Manuel I
2009/2010
Filosofia-10º

Rosanda Nunes
Nº: 20 10ºE

Relatório da Aula

Aulas nº: 31 e 32


A docente leu o relatório de aula realizado pelo aluno Miguel Pereira e traçou o objectivo da aula que era o seguinte: reconhecimento da acção humana como um acto consciente, voluntário, intencional e motivado.
Entretanto corrigimos o trabalho de casa que consistia em distinguir um acto consciente e voluntário de um acto inconsciente e voluntário e de um acto consciente e involuntário. Por exemplo ir à praia é um acto consciente e voluntário na medida que temos noção daquilo que estamos a fazer e depende da nossa vontade, respectivamente. Mas respirar pode ser um acto involuntário consciente ou inconsciente, já que normalmente sabemos que estamos a respirar e não depende da nossa vontade, todavia, quando nós dormimos o respirar torna-se inconsciente.
Logo a seguir fizemos oralmente um pequeno resumo da aula anterior. Recordámos que fazer é diferente de acontecer. No fazer há um agente/ actor, o sujeito é activo, contudo no acontecer o ser humano não é o agente (aquele que pratica a acção) não é o actor, mas sim o agido (o que sofre a acção) ou receptor. O sujeito é passivo. Remetemos novamente para o caso do tsunami que é um acontecimento mas o indivíduo ao voluntariar-se está a ser agente, a fazer algo. Aprendemos que o que nos acontece não é considerado acção e que nem tudo o que fazemos é acção. Os actos para serem acções humanas têm de ser conscientes e voluntários.
Concluímos então que quando os nossos actos são conscientes sabemos o que estamos a fazer, pois a consciência e particularmente o nosso pensamento está a acompanhar o que fazemos. Só há pensamento ao nível consciente. Quando os nossos actos são inconscientes não temos noção daquilo que fazemos, pois o pensamento não está a acompanhar os nossos actos. Por exemplo, quando estamos a sonhar.
Concluímos também que os actos voluntários dependem da nossa vontade enquanto que os actos involuntários são independentes da nossa vontade.
Passámos então para o estudo da intencionalidade de uma acção. Lemos um pequeno texto em que o João pratica uma acção - fazer sinal ao autocarro para ele parar - com a intenção de chegar à escola. Porém ele cai e desequilibra-se causando ferimentos no pé de outra pessoa. Isso não é acção porque não há uma intenção. Com este texto apreendemos a definir intenção. Intenção é o curso da acção que alguém pretende seguir, ou seja, o objectivo que guia a acção. Uma verdadeira acção humana é sempre uma acção intencional. A intencionalidade da acção humana responde a pergunta “Para quê?”.
O motivo da acção, por sua vez, responde à pergunta “Porquê?”. O motivo é aquilo que provoca a acção, o que origina a acção. No caso do João, ele fez sinal ao autocarro porque estava atrasado para um teste decisivo para a sua passagem de ano.
Intenção é diferente de motivo. A intenção é da ordem do futuro, o motivo é da ordem do passado ou presente. Para compreendermos a distinção entre intenção e motivo fizemos um exercício que consistia em reconhecer a intenção e o motivo de uma acção. Por exemplo, na acção em que o aluno conversa com um colega durante a realização de um teste de avaliação por se ter esquecido do relógio, a intenção é saber as horas e o motivo é ter-se esquecido do relógio.
Em suma, um acto para ser acção humana tem que ser consciente, voluntário, intencional e tem que ter um motivo.
Para terminar a aula, a professora indicou-nos a realização de um trabalho de casa da página dezoito, exercício dois.


- O relatório apresentava algumas partes confusas.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Relatório das aulas 29 e 30

Escola Secundária D. Manuel I
Ano lectivo 2009/2010
Filosofia 10ºano


Miguel Reis Pereira 10ºE/Nº16
Lições nº 29 e 30 09/11/09



Relatório de aula

A aula teve o seu início com a entrega dos testes de avaliação aos alunos, e com uma apreciação geral dos mesmos por parte da professora, e por fim foi feita a correcção oral do teste.
Corrigimos o trabalho de casa, e definimos filosofia de acção como uma área da filosofia que tem como principal objectivo compreender no que consiste uma acção humana, de modo a perceber quando é que um acto pode ser entendido como acção e de modo a identificar as condições em que um agente pode ou não ser responsabilizado. Em relação aos dois objectivos propostos a atingir na aula - Compreender o que é a filosofia da acção - e – Distinguir o que fazemos do que o que nos acontece - foram desenvolvidos com as seguintes ideias:
Sobre a distinção entre o que fazemos e o que nos acontece, foi feita a seguinte análise: ” o que fazemos” consiste no papel do homem como agente, com um papel activo, ao contrário do acontecer em que somos espectadores e temos um papel passivo. Quanto ao que fazemos, os nossos actos podem ser conscientes ou inconscientes, e voluntários ou involuntários. Em relação a “o que nos acontece”, o homem não é o agente, mas sim o agido (aquele que sofre a acção), por exemplo, no caso do tsunami que devastou o Sudoeste Asiático, o homem apenas está sujeito à fúria da natureza, mas num segundo momento o indivíduo pode ser agente, ao ajudar as vitimas a reconstruir as suas vidas através de donativos ou pode ser voluntário no apoio aos necessitados, e neste caso, o ser humano está a interferir, tomando o papel de actor.
Para concluir, a professora indicou-nos o trabalho de casa, ler as páginas 54 e 55, e fazer o exercício da página 56 do manual.